O que é PMMA? Riscos e alternativas seguras
Cirurgia Plástica

O que é PMMA? Entenda os riscos do preenchedor definitivo e as alternativas seguras

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O que é PMMA?
22out, 2026

O PMMA (polimetilmetacrilato) é uma substância usada durante anos como preenchedor definitivo em procedimentos estéticos no rosto e no corpo. Diferente de preenchedores temporários, o PMMA não é absorvido pelo organismo: uma vez injetado, permanece nos tecidos por tempo indeterminado.

Em junho de 2026, o Conselho Federal de Medicina proibiu o uso do PMMA como preenchedor em todo o Brasil, seja com finalidade estética ou reparadora. A decisão foi motivada por complicações graves e irreversíveis associadas à substância, que podem surgir anos após a aplicação.

Este texto explica o que é o PMMA, por que ele foi proibido, quais são os riscos e, principalmente, quais são as alternativas para quem busca rejuvenescimento facial.

O que é o PMMA?

O PMMA é um componente plástico com aplicações consolidadas na medicina, presente em cimento ortopédico, lentes intraoculares e implantes específicos. Esses usos não são o problema.

A questão está no uso do PMMA como preenchedor injetável na pele. Nessa aplicação, a substância é injetada na forma de microesferas com consistência de gel, atuando como suporte estrutural que preenche o tecido e estimula a produção de colágeno.

O grande atrativo do PMMA era duplo: baixo custo e permanência definitiva. Diferente do ácido hialurônico, que é absorvido pelo organismo ao longo do tempo e exige reaplicações, o PMMA prometia um resultado que não desaparecia. Essa característica, que parecia uma vantagem, é justamente a origem dos maiores problemas.

Por que o CFM proibiu o PMMA?

A Resolução CFM nº 2.461/2026, em vigor desde 2 de junho de 2026, proíbe o uso do PMMA como substância de preenchimento por médicos em todo o Brasil, seja com finalidade estética ou reparadora. A única exceção é o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids no âmbito do SUS, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.

A decisão foi fundamentada em extensa revisão da literatura científica e em experiências de outros países. O PMMA deixou de ser utilizado na França em 2005, na Holanda em 2015 e na Argentina em 2022. Nos Estados Unidos e Canadá, apenas uma marca é autorizada, com uso restrito ao sulco nasolabial e a cicatrizes de acne.

O motivo principal é que o PMMA, por ser um material não reabsorvível e permanente, está associado a complicações que podem surgir anos após a aplicação, mesmo quando o procedimento é realizado por médicos e dentro de parâmetros adequados. Segundo a relatora da resolução, isso indica que as complicações são decorrentes de características do próprio produto, não apenas de erros de técnica.

Um dado que ajuda a dimensionar o problema: pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de 2016 já registrava mais de 17 mil complicações decorrentes de implantes com PMMA no país em um único ano.

Quais são os riscos e complicações do PMMA?

As complicações do PMMA como preenchedor podem ser imediatas, mas o maior problema são as reações tardias, que aparecem meses ou anos depois. As principais incluem:

Reações inflamatórias crônicas

Por estar entremeado nos tecidos, o PMMA pode desencadear inflamação persistente que não desaparece, pois o corpo não consegue eliminar a substância.

Formação de granulomas

Pequenos nódulos endurecidos que se formam ao redor das microesferas de PMMA, causando deformidades visíveis e palpáveis.

Migração do material

O produto pode se deslocar da região onde foi aplicado, gerando assimetrias e deformidades em áreas não previstas.

Necrose

Morte do tecido por comprometimento da circulação sanguínea, sem dúvida, uma das complicações mais graves.

Infecções persistentes

Infecções de difícil tratamento porque a substância permanece no local servindo de foco para os microrganismos.

Hipercalcemia e doença renal

Em aplicações de grande volume, especialmente no corpo, o PMMA foi associado a um aumento de cálcio no sangue e comprometimento renal.

Deformidades progressivas com o envelhecimento

Mesmo sem complicações inflamatórias, o envelhecimento natural causa mudanças na estrutura do rosto que não acompanham o PMMA, tornando o produto cada vez mais aparente e gerando resultados inestéticos ao longo do tempo.

Segundo o CFM, o tratamento dessas complicações frequentemente exige o uso prolongado de medicamentos imunossupressores e, em muitos casos, procedimentos cirúrgicos complexos para retirada do material, nem sempre capazes de restaurar plenamente os danos causados.

É possível remover o PMMA do corpo?

A remoção do PMMA pode ser possível em alguns casos, mas é complexa e nem sempre consegue retirar todo o material. Como o produto é permanente e pode se integrar aos tecidos, não existe uma substância capaz de simplesmente dissolvê-lo após a aplicação.

Diferente do ácido hialurônico, que pode ser degradado com uma enzima chamada hialuronidase em situações específicas, o PMMA não tem esse recurso. A única forma de removê-lo é cirúrgica, e mesmo assim a retirada completa é frequentemente impossível porque as microesferas se espalham e se misturam ao tecido natural.

A cirurgia de remoção é delicada e apresenta riscos próprios, incluindo lesão de nervos faciais, que pode causar paralisia, e comprometimento da circulação. Por isso, a remoção de PMMA deve ser avaliada individualmente por um cirurgião plástico experiente no tratamento desse tipo de complicação.

PMMA ou ácido hialurônico: qual a diferença?

CaracterísticaPMMAÁcido hialurônico
PermanênciaDefinitivo, não absorvívelTemporário, absorvível
ReversibilidadeSem substância que o dissolvaDegradável com hialuronidase
Complicações tardiasFrequentes e gravesMenos frequentes
Situação legal no BrasilProibido como preenchedorPermitido
RemoçãoApenas cirúrgica e incompletaMais simples

O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente no organismo e, quando utilizado como preenchedor, é gradualmente reabsorvido. Além disso, pode ser degradado com hialuronidase em situações específicas. Essa reversibilidade representa uma diferença importante em relação ao PMMA, embora o ácido hialurônico também possa apresentar riscos e complicações e deva ser utilizado com indicação e técnica adequadas.

Preenchedor resolve flacidez e envelhecimento facial?

Aqui está um ponto que muita gente não sabe e que é importante entender.

Grande parte das pessoas que recorreram ao PMMA buscava resolver flacidez, bigode chinês, sulcos faciais e sinais de envelhecimento. O problema é que preenchedores têm como principal função restaurar ou acrescentar volume em áreas selecionadas.

Já a flacidez facial envolve alterações mais complexas, como frouxidão e deslocamento dos tecidos ao longo do envelhecimento. Por isso, quando existe flacidez significativa, simplesmente adicionar volume pode não produzir o resultado desejado, e em alguns casos pode até acentuar a sensação de peso na face.

Foi em parte essa confusão que levou muitas pessoas a acumular PMMA no rosto ao longo dos anos, tentando corrigir com preenchedor um problema de natureza diferente. Dependendo do grau de envelhecimento, das características do rosto e dos objetivos do paciente, procedimentos cirúrgicos de reposicionamento dos tecidos podem ser considerados.

Quais são as alternativas para rejuvenescimento facial?

Para quem busca tratar flacidez e envelhecimento facial, existem diferentes caminhos, e a escolha depende do que precisa ser tratado.

Para perda de volume pontual e específica, o ácido hialurônico é uma alternativa reversível e com melhor perfil de segurança do que o preenchedor definitivo.

Para flacidez e queda dos tecidos, os procedimentos cirúrgicos de rejuvenescimento facial atuam na causa do problema. O deep plane facelift é uma das técnicas utilizadas atualmente para o rejuvenescimento cirúrgico da face. A abordagem permite atuar em planos mais profundos, reposicionando estruturas faciais que sofreram alterações com o envelhecimento, em vez de apenas adicionar volume.

As vantagens em relação ao preenchedor definitivo são relevantes: o resultado tende a ser mais natural, não deixa produto permanente no rosto, atua sobre a flacidez de forma direta e não traz o risco de complicações tardias associadas ao PMMA.

Para entender em profundidade como funciona a técnica, quem é candidato e como é a recuperação: Deep Plane Facelift: resultado natural e duradouro

Já apliquei PMMA. O que fazer?

Se você já aplicou PMMA e não tem sintomas, o primeiro passo é o acompanhamento com um cirurgião plástico. Nem todo paciente com PMMA desenvolve complicações, e a conduta depende da quantidade aplicada, da localização e da presença ou não de sinais inflamatórios.

Sinais de alerta que exigem avaliação incluem:

  • endurecimento ou nódulos na região aplicada
  • inchaço que aparece e desaparece
  • vermelhidão ou calor local
  • dor persistente
  • deformidades progressivas

O acompanhamento com ultrassom pode ajudar a monitorar o comportamento do produto ao longo do tempo. Quando há complicações, o tratamento é individualizado e pode incluir medicações para controlar a inflamação e, em casos selecionados, cirurgia para remoção parcial do produto.

O mais importante é não aplicar mais PMMA e buscar avaliação com um cirurgião plástico qualificado para definir o melhor acompanhamento para o seu caso.

Na prática clínica

Recebo no consultório pacientes que aplicaram PMMA há anos acreditando que estavam resolvendo a flacidez do rosto. Muitos chegam com deformidades, nódulos e a frustração de descobrir que o produto é permanente e difícil de remover.

O que explico a esses pacientes, e o que gostaria que todos soubessem antes de aplicar qualquer preenchedor definitivo, é que flacidez facial e perda de volume são problemas diferentes e que exigem abordagens diferentes. Adicionar volume a um rosto que precisa de reposicionamento de tecidos raramente entrega o resultado que o paciente esperava.

Para quem ainda não aplicou nada e busca rejuvenescimento, o caminho seguro começa por entender qual é o real problema. Essa avaliação individualizada é o que permite escolher entre as opções disponíveis com segurança. Preenchedor definitivo, agora proibido pelo CFM, não faz mais parte dessas opções.

Perguntas frequentes

PMMA pode causar problemas anos depois da aplicação?

Sim. Uma das características mais preocupantes do PMMA é que as complicações podem surgir meses ou anos após a aplicação, mesmo quando o procedimento foi realizado por profissional habilitado. Isso ocorre porque as complicações estão relacionadas às características do próprio produto, que é permanente e não reabsorvível.

Quem tem PMMA e não sente nada precisa retirá-lo?
Não necessariamente. Nem todo paciente com PMMA desenvolve complicações. Quando não há sintomas, a conduta habitual é o acompanhamento com cirurgião plástico, que avalia individualmente a necessidade de qualquer intervenção. A remoção não é automática e depende de cada caso.

Como saber se tenho PMMA no rosto ou no corpo?

Se você não sabe qual substância foi aplicada em um procedimento anterior, o ideal é buscar o registro do procedimento e uma avaliação com cirurgião plástico. O exame clínico associado a exames de imagem como o ultrassom pode ajudar a identificar a presença e a localização do material nos tecidos.

Qual exame pode identificar o PMMA nos tecidos?

O ultrassom é o exame mais utilizado para avaliar a presença e a distribuição de preenchedores nos tecidos. Em alguns casos, a ressonância magnética também pode ser útil. A avaliação por imagem ajuda a planejar o acompanhamento e eventuais intervenções.

É possível fazer cirurgia plástica em uma região que recebeu PMMA?

Depende da região, da quantidade de produto e da presença de complicações. A presença de PMMA pode tornar a cirurgia mais complexa, mas não a inviabiliza automaticamente. Essa avaliação deve ser feita individualmente por um cirurgião plástico com experiência no manejo de pacientes que utilizaram preenchedores permanentes.

Referências

Conselho Federal de Medicina (CFM). CFM proíbe o uso médico de PMMA como preenchedor em todo o país, 2026. 

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Posicionamento sobre o uso de PMMA. 

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